domingo, 29 de agosto de 2010

[__ Espaço reservado ao grito __]



Tremenda vontade de gritar.
De gritar o grito negro e o grito branco. O vermelho e o amarelo.
Cada cor tem seu grito, cada grito a sua luz de velocidade do som.
Estou com vontade de grito. Mas grito interno, depois externalizo.
Sinto como se fosse necessário me acordar aos gritos sem que ninguém os ouça.
Só eu.
Tenho receio e timidez aos gritos que necessito gritar.
Tenho medo e me faltam forças ao gritar.
Tenho pressa regada à prudência forçada.

E preciso das ondas.
Das ondas que explodem sem receio, preciso olhar ondas e vê-las.
Preciso vê-las em seu vai e vem, indecisas ou determinadas.
Preciso vê-las aos gritos, esconderem-se entre pedras e penhascos.
Preciso vê-las sem medo do que vão tocar.
Preciso vê-las despencarem em seu medo de grito ao beijar a areia fina.
Preciso vê-las calmas após gritarem, explodirem.
Preciso vê-las rompendo.
Preciso vê-las voltarem atrás transformadas em almas calmas, ondas baixas.

E depois.
Ah... depois o vento.
A brisa e a vontade de ser onda e de ser silêncio.
Ser vontade do que já se é, para aumentar a vontade de ser.
E depois, coragem.



D.