domingo, 26 de setembro de 2010

Intuição




Era intuição.
Algo que não se sabia de onde vinha ou ao certo o que provocava.
Era uma força que sutilmente explorava os sentidos e os prendia em um só pensamento.
Sinais que os olhos combinavam em cores para dar forma humana ao que mais tarde seria desejo de toque, que transformava em música todas as músicas, que acelerava vontades e diminuía distâncias...

A intuição agora era barulho para dentro, fazendo festa, despertando os mesmos olhos coloridos para algo reconhecido. Para cada momento contínuo em que se viam as mesmas letras se desenharem e se repetirem. E ainda sem saber pq, as mãos sugeriam o mesmo ritmo e permaneciam a se atrever a chegar mais perto.

Ainda que escondida em rompantes obscuros e cautelosos, a intuição continuava a seguir sinais. Cada palavra, cada movimento era uma nova diretriz. Mansinho...

Sabe-se do susto do pensamento, "O que é isso?". Principalmente quando a experiência não traz vestígios rigorosamente bons sobre o passado. Sabe-se da dor e da solidão forçada até então.

Como estar certo se a verdadeira boa intuição tem que vir necessariamente de um interior limpo, sem vestígios do que ficou para trás? Sem preceitos ou poréns? Sem faces, nu? Se vier do oco, de sua casa morada íntima interiormente lavada por lágrimas e chuva, deixa estar...

Se há porto de intuição...
A alma vai ficando exposta.
Deixa ventar um pouco mais...


D.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Árvore I

Gosto de árvores. A dor da renovação das árvores.
Não deve ser fácil ver nascer da sua própria seiva, da sua alma, frutos e folhas e, como matéria descartável, deixá-los cair ao chão.
Não conheço melhor exemplo de desapego. Não conheço melhor exemplo de nosso egoísmo refletido na natureza, particularmente nas violetas.

Violetas são florzinhas que ousamos colocar em pequenos vasos dentro de um espaço minúsculo de sol dentro de um apartamento, assim como ousamos fazer com nossas próprias vidas, seguindo insatisfeitos e imutáveis à troco de pouco.
Deixamos lá. Sem espaço para desapego. Sem espaço para o incontrolável. In loco.
Vamos cuidando da florzinha, aguando, retirando as folhas ruins.
Até que um dia, como reflexo de nossa natureza indomável, cansamos do pouco.

E a florzinha morre...
Por falta de quem lhe retire o que é inútil.
Por falta de quem lhe dê o novo ou ao menos renove o que há de melhor em si.
Por falta de quem cuide para que suas pétalas continuem refletindo a cor mais vibrante escondida debaixo da poeira de asfalto que entra pela janela.

Ela morre. Então ficam folhas e violeta inteira no chão.
E mais nada. Nunca mais.


É você o responsável pela direção dos seus medos.


Pra vc, leitor, escutar e pensar nos seus passos...
http://www.youtube.com/watch?v=JPopSaNOYCM


D.