Algo que não se sabia de onde vinha ou ao certo o que provocava.
Era uma força que sutilmente explorava os sentidos e os prendia em um só pensamento.
Sinais que os olhos combinavam em cores para dar forma humana ao que mais tarde seria desejo de toque, que transformava em música todas as músicas, que acelerava vontades e diminuía distâncias...
A intuição agora era barulho para dentro, fazendo festa, despertando os mesmos olhos coloridos para algo reconhecido. Para cada momento contínuo em que se viam as mesmas letras se desenharem e se repetirem. E ainda sem saber pq, as mãos sugeriam o mesmo ritmo e permaneciam a se atrever a chegar mais perto.
Ainda que escondida em rompantes obscuros e cautelosos, a intuição continuava a seguir sinais. Cada palavra, cada movimento era uma nova diretriz. Mansinho...
Sabe-se do susto do pensamento, "O que é isso?". Principalmente quando a experiência não traz vestígios rigorosamente bons sobre o passado. Sabe-se da dor e da solidão forçada até então.
Como estar certo se a verdadeira boa intuição tem que vir necessariamente de um interior limpo, sem vestígios do que ficou para trás? Sem preceitos ou poréns? Sem faces, nu? Se vier do oco, de sua casa morada íntima interiormente lavada por lágrimas e chuva, deixa estar...
Se há porto de intuição...
A alma vai ficando exposta.
Deixa ventar um pouco mais...
D.