Gosto de árvores. A dor da renovação das árvores.
Não deve ser fácil ver nascer da sua própria seiva, da sua alma, frutos e folhas e, como matéria descartável, deixá-los cair ao chão.
Não conheço melhor exemplo de desapego. Não conheço melhor exemplo de nosso egoísmo refletido na natureza, particularmente nas violetas.
Violetas são florzinhas que ousamos colocar em pequenos vasos dentro de um espaço minúsculo de sol dentro de um apartamento, assim como ousamos fazer com nossas próprias vidas, seguindo insatisfeitos e imutáveis à troco de pouco.
Deixamos lá. Sem espaço para desapego. Sem espaço para o incontrolável. In loco.
Vamos cuidando da florzinha, aguando, retirando as folhas ruins.
Até que um dia, como reflexo de nossa natureza indomável, cansamos do pouco.
E a florzinha morre...
Por falta de quem lhe retire o que é inútil.
Por falta de quem lhe dê o novo ou ao menos renove o que há de melhor em si.
Por falta de quem cuide para que suas pétalas continuem refletindo a cor mais vibrante escondida debaixo da poeira de asfalto que entra pela janela.
Ela morre. Então ficam folhas e violeta inteira no chão.
E mais nada. Nunca mais.
É você o responsável pela direção dos seus medos.
Pra vc, leitor, escutar e pensar nos seus passos...
http://www.youtube.com/watch?v=JPopSaNOYCM
D.